O curto impacto dos funerais
É a certeza pra todos. Vamos morrer. Uns mais velhos, outros mais novos, uns mais ricos, outros mais pobres, uns mais brancos, outros mais negros... A maioria acha que a morte de alguém nunca será superada. Aí está o grande engano. Lembrar-se de um ente falecido, chorar de saudades... estes não são sintomas de não superação da morte de alguém. É uma coisa natural. Sentimos falta da pessoa e nos lembramos das coisas que, de certa forma, trazem de volta a pessoa já falecida. Já a categoria suicídio é mais dramática. Esta sim tem um impacto terrível. Se o suicida avisa que vai se suicidar causa pânico entre amigos e família. Se comete o suicídio sem avisar é outro tipo de drama. Mas, nos dois casos, a recuperação de quem ficou do lado de cá é a mesma. (Por falar nisso, será que existe mesmo o lado de lá?)É muito ruim quando alguém que a gente gosta morre, seja de causa natural, acidental ou proposital. Só que isso passa. Despois vem a calmaria, lembranças, comentários de "como faz falta fulano", "se fulano estivesse aqui já estaria debochando de mim". Ai ai.... Viu como passa? Sempre vai passar. Depois de um suicídio de alguém a vida continua. Volta todo mundo a trabalhar, a estudar, comemorar aniversário, páscoa, natal... Morte é morte. Os religiosos ficam , como sempre, mostrando a maldade de Deus com o tal do inferno, para os suicidas. E uns falam "se Deus te deu a vida, só Ele pode tirar". Que coisa linda. Mas antes, Deus esqueceu de perguntar se aquela pessoa queria vir. E , por falar niso, o que eu era quando Deus me ofereceu a vida? E como que ele me falou que era pra vir pra cá? Ninguém tolera a morte porque tem medo. Medo do que acontece depois. Mas, como já disse, morte é morte.
Escrito por Blog do Repúdio às 20h41
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